Os mitos do estupro e a “especial relevância da palavra da vítima em crimes sexuais”
Resumo
Durante os anos 70, o movimento antiestupro (ligado à segunda onda feminista nos EUA e Europa) rompeu a divisão público/privado ao denunciar o estupro como produto de violências estruturais, não apenas desvios individuais. Obras como Against Our Will de Susan Brownmiller evidenciaram que o estupro funciona como instrumento de poder, gerando medo nas mulheres, legitimando mitos; por exemplo, de que só estranhos cometem estupro ou que existe verdadeiramente especial relevância na palavra da vítima. No Brasil, julgados de 2017 do TJPA mostram que quase nunca decisões se baseiam fortemente apenas no depoimento da ofendida, exigindo provas físicas extremas para condenar, o que corrobora o caráter mito desse princípio.
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Referências
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