A normativização do dolo e seus efeitos na tentativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.17487007

Palavras-chave:

Dolo, Dolo eventual, Tentativa, perigo doloso, teoria cognitiva

Resumo

O presente artigo analisa as recentes teorias cognitivas do dolo no Direito Penal, contrastando-as com as teorias volitivas tradicionais, com o objetivo de investigar as consequências da normativização do dolo para a definição e aplicação da tentativa, especialmente em casos de tentativa branca. Através de uma metodologia de análise doutrinária, o trabalho explora as críticas às teorias volitivas e examina as propostas das teorias cognitivas, como a teoria do perigo doloso, a dominabilidade da ação e o dolo como compromisso cognitivo. Os autores concluem que a adoção de um conceito normativo- atributivo de vontade, central para as teorias cognitivas, gera maior insegurança jurídica na delimitação da tentativa, aumentando a discricionariedade judicial. Defende-se a manutenção de um elemento volitivo em sentido psicológico- descritivo para a configuração da tentativa, propondo reformas legislativas para lidar com condutas culposas excessivamente perigosas sem descaracterizar o conceito de dolo.

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Biografia do Autor

Prof. Dr. Túlio Vianna, Universidade Federal de Minas Gerais

Professor de Direito Penal na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Realizou pesquisa pós-doutoral na Alma Mater Studiorum Università di Bologna. Advogado.

Me. Lucas Barbosa Miranda, Universidade Federal de Minas Gerais

Professor de Direito Penal na Faculdade de Minas (FAMINAS). Doutorando e Mestre em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Realizou estância de pesquisa na Humboldt-Universität zu Berlin. Advogado.

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Publicado

2026-02-24

Como Citar

VIANNA, Túlio; MIRANDA, Lucas Barbosa. A normativização do dolo e seus efeitos na tentativa. Revista Brasileira de Ciências Criminais , São Paulo, v. 212, n. 212, p. 295–335, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.17487007. Disponível em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/RBCCRIM/article/view/2099. Acesso em: 12 maio. 2026.

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