Os juízos de reprovação não declarados nas sentenças de mulheres condenadas por tráfico de drogas

Autores

  • Me. Marina Schubert Universidade Federal da Bahia, UFBA, Brasil image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.17486987

Palavras-chave:

Culpabilidade, Juízos de reprovação, feminismo interseccional, dosimetria da pena, Criminologia feminista

Resumo

O presente trabalho tem como tema o estudo das sentenças de pessoas condenadas por tráfico de drogas a fim de verificar se há uma efetiva diferença entre o quantum da pena pelo fator de gênero. Como problema de pesquisa, tem-se o questionamento se há, nestas sentenças, juízos de reprovação destinados a essas mulheres que podem gerar a diferença de pena entre elas e homens em comparação. O objetivo do trabalho é identificar esses juízos de reprovação, por meio da análise da dosimetria da pena em comparação com as demais peças processuais, em especial o interrogatório, trazendo o enfoque para o fator da culpabilidade. Em conclusão, tem-se que, embora os juízos de reprovação não sejam explícitos, eles estão presentes nas sentenças e interferem no quantum da pena.

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Biografia do Autor

Me. Marina Schubert, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Brasil

Mestra em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia. Especialista em Ciências Criminais e graduada em Direito pela Faculdade Baiana de Direito.

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Publicado

2026-02-24

Como Citar

SCHUBERT, Marina. Os juízos de reprovação não declarados nas sentenças de mulheres condenadas por tráfico de drogas. Revista Brasileira de Ciências Criminais , São Paulo, v. 212, n. 212, p. 111–152, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.17486987. Disponível em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/RBCCRIM/article/view/770. Acesso em: 30 abr. 2026.

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