A problemática do self-labeling e o comprometimento volitivo da confissão no acordo de não persecução penal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18311865

Palavras-chave:

justiça negocial, self-labeling, confissão, ANPP

Resumo

O presente artigo visa a estudar a internalização, no sistema jurídico brasileiro, de métodos consensuais de solução de conflitos e o possível impacto de tais institutos em uma estrutura criminal seletiva e estigmatizante. A particular situação estrutural brasileira permite, ainda, analisar a possível influência que comportamentos prévios de sujeição criminal e autorrotulação do ponto de vista político criminal, o que pode ser relevante como elemento volitivo de aceitação do acordo de não persecução penal (ANPP). Dito de outra forma, serão investigadas as situações de possível comprometimento da voluntariedade na negociação pelo ANPP e sugeridas análises de respostas ao descompasso presente entre teoria e prática, sem a abertura à multidisciplinaridade. Afinal, a contaminação da voluntariedade enfraquece a efetividade de soluções normativas, além de pesar o tecido do sistema penal, estando o indivíduo dentro ou fora do sistema carcerário.

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Biografia do Autor

Me. Isabela do Rosário Lisboa Martins, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, IDP, Brasil

Mestre em Direito Constitucional pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Graduação em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0762-4882. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4897935801592392.

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Publicado

2026-05-12

Como Citar

MARTINS, Isabela do Rosário Lisboa. A problemática do self-labeling e o comprometimento volitivo da confissão no acordo de não persecução penal. Revista Brasileira de Ciências Criminais , São Paulo, v. 213, n. 213, p. 39–59, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.18311865. Disponível em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/RBCCRIM/article/view/1246. Acesso em: 12 maio. 2026.

Edição

Seção

Direito penal

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