Da responsabilidade penal atrelada ao criminal compliance “inteligente”
a influência da inteligência artificial na responsabilidade penal individual por crimes omissivos impróprios
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.15928589Palavras-chave:
Criminal Compliance, Inteligência artificial, Machine Learning, Responsabilidade penal, Omissão imprópriaResumo
O presente artigo discute a possível responsabilidade penal decorrente de decisão espontânea e imprevisível de um sistema de criminal compliance inteligente. Sabe-se que os programas de compliance enfrentam um volume cada vez maior de informações e dados a serem processados. Nesse contexto, a introdução de um sistema de criminal compliance inteligente pode maximizar as atividades de um programa de compliance ao facilitar a avaliação de um volume extenso de dados e permitir, com isso, atividades de detecção de padrões de comportamento suspeito. No entanto, a sua utilização não está desatrelada de possíveis “falhas”, as quais podem, em determinadas situações, permitir a perpetração de um ilícito penal. Diante desse cenário, utilizando-se de um método dedutivo, por meio de revisão doutrinária, quer-se esclarecer como se daria a responsabilidade penal dos garantes de uma empresa, na hipótese de um algoritmo de criminal compliance permitir a ocorrência de um crime. Ao final, pretende-se mostrar que, apesar dos recentes avanços quanto ao tema, ainda se permanece em um vazio normativo, o qual não pode ser dirimido como mera consequência da “sociedade de risco”.
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