O que podemos aprender com os primeiros casos do Innocence Project Brasil (VI)
o Caso Cleber
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20276229Palavras-chave:
prova penal, valoração da prova, reconhecimento de pessoas, presunção de inocência, aprendizagem baseada em errosResumo
O artigo analisa o caso Cleber, examinando criticamente os julgamentos de primeira e segunda instância que resultaram em sua condenação por estupro de vulnerável, identificando falhas no raciocínio decisório e justificativo, especialmente quanto à absorção acrítica do depoimento da vítima, sem qualquer monitoramento epistêmico da honestidade e acurácia perceptiva e mnemônica da declarante, à deturpação da evidência dos autos, à desconsideração das provas do álibi, à ausência de diálogo com as questões levantadas pela defesa em todas as suas manifestações. O estudo culmina com o mapeamento dos fatores que provavelmente contribuíram para o erro: admissibilidade automática da acusação, decretação e manutenção da prisão preventiva, inadequada valoração das provas dependentes da memória, ausência de método decisório estruturado e incompreensão do papel do juiz criminal.
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