Oxente! Prisão preventiva, gravidade concreta e a deusa Afrodite

Autores

  • Prof. Me. Ivan Jezler Júnior Escola de Magistrados da Bahia

Palavras-chave:

prisão cautelar, ordem pública, fundamentação judicial, antecipação de pena, garantias processuais

Resumo

Este artigo investiga a utilização crescente do argumento da “gravidade concreta” do fato como fundamento para a decretação de prisão preventiva no sistema penal brasileiro. Parte-se da introdução de que a segregação cautelar deve ter finalidade instrumental e ser submetida aos requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal (materialidade, indícios, necessidade de garantia da ordem pública, econômica, instrução ou aplicação da lei). Argumenta-se que decisões recentes substituem o risco concreto por meras considerações de gravidade abstrata ou pelo clamor social, violando o princípio da presunção de inocência e transformando a prisão preventiva em antecipação de pena. A “ordem pública” torna-se, nesse contexto, um conceito mutável e subjetivo, comparado à figura mitológica da deusa Afrodite, cuja forma se adapta ao olhar de quem a contempla, ilustrando a arbitrariedade do fundamento adotado. Propõe-se uma reflexão crítica sobre os efeitos desse padrão no encarceramento em massa e na erosão de garantias processuais.

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Biografia do Autor

Prof. Me. Ivan Jezler Júnior, Escola de Magistrados da Bahia

Mestre em Ciências Criminais pela PUCRS. Especialista em Direito Público pela Unyana. Professor de Direito Penal e Processual Penal da Universidade Ruy Barbosa, bem como de Processo Penal do Centro de Estudos José Aras (CEJAS), da Escola de Magistrados da Bahia, da Escola Superior de Advocacia (ESA) e da Pós-Graduação LFG. Advogado.

Referências

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Publicado

01-07-2019

Como Citar

JEZLER JÚNIOR, Ivan. Oxente! Prisão preventiva, gravidade concreta e a deusa Afrodite. Boletim IBCCRIM, São Paulo, v. 27, n. 320, p. 8–9, 2019. Disponível em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/boletim_1993/article/view/2439. Acesso em: 20 abr. 2026.

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