A inconstitucionalidade da exigência da confissão no acordo de não persecução penal
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.17166987Palavras-chave:
acordo de não persecução penal, confissão, processo penalResumo
O artigo analisa a obrigatoriedade legal da confissão formal e circunstancial do investigado como requisito objetivo para a celebração do acordo de não persecução penal (ANPP), instituído pela Lei 13.964/2019. Após revisar a bibliografia sobre o tema e verificar quais seriam os argumentos favoráveis e contrários a tal previsão legal, notadamente acerca de quais seriam a finalidade e a utilidade de tal confissão para o processo penal, conclui-se que sua exigência é absolutamente desnecessária e inconstitucional, uma vez que a confissão para fins específicos do ANPP não é uma assunção de responsabilidade em qualquer outra esfera e não tem serventia como prova no processo penal.
Downloads
Referências
ARAÚJO, Gláucio Roberto Brittes de. Breves comentários sobre o acordo de não persecução penal. Cadernos Jurídicos da Escola Paulista da Magistratura, São Paulo, v. 22, n. 57, p. 161-177, 2021. Disponível em: https://www.tjsp.jus.br/download/EPM/Publicacoes/CadernosJuridicos/cj_n57_08_breves%20coment%C3%A1rios%20sobre.pdf?d=637437204620483715. Acesso em 18 jul. 2025.
BADARÓ, Gustavo Henrique. Processo Penal. 12 ed. rev., atual e ampl. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2024.
BEM, Leonardo Schimitt de. Os requisitos do acordo de não persecução penal. In: BEM, Leonardo Schmitt de; MARTINELLI João Paulo (org.). Acordo de não persecução penal. 2. ed. Belo Horizonte: D’Plácido, 2021. p. 219-264.
BERTONI, Felipe Faoro. O “dilema do inocente” no acordo de não persecução penal. In: VALENTE, Manuel Monteiro Guedes et al. (coord.). Direito e liberdade: estudos em homenagem ao professor doutor Nereu José Giacomolli. São Paulo: Almedina, 2022. p. 841-861.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (Sexta Turma). AgRg no HC n. 950.941/RS, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), julgado: 6 maio 2025, DJEN: 9 maio 2025a.
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (Terceira Seção). REsp n. 2.161.548/BA, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), julgado: 12 mar. 2025, DJEN: 25 mar. 2025b.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (Pleno). HC 185.913, Relator Ministro Gilmar Mendes, julgado em: 18 set. 2024.
BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei Federal nº 10.372, de 06 de junho de 2018. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1666497&filename=Tramitacao-PL%2010372/2018. Acesso em: 18 jul. 2025.
CABRAL, Rodrigo Leite Ferreira. A confissão circunstanciada dos fatos como condição para a celebração do acordo de não persecução penal. In: BEM, Leonardo Schmitt de; MARTINELLI João Paulo (org.). Acordo de não persecução penal. 2. ed. Belo Horizonte: D’Plácido, 2021, p. 265-280.
LOPES JUNIOR, Aury. Direito Processual Penal. 21 ed. São Paulo: SaraivaJur, 2024.
LOVATTO, Aline Correa. LOVATTO, Daniel Correa. Confissão como (des)acordo de não persecução penal. Revista da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, n. 26, p. 65-84, 2020. Disponível em: https://revista.defensoria.rs.def.br/defensoria/article/view/17/. Acesso em: 18 jul. 2025.
MARCHIONATTI, Daniel. Quanto vale uma confissão negociada? ANPP e o direito ao silêncio. In: AKERMAN, William; MARINHO JR., Inezil Penna (org.). Justiça penal negociada. Brasília: Sobredireito, 2024. p. 209-224.
MARQUES, Oswaldo Henrique Duek; ROCHA, Silvio Luís Ferreira da. Acordo de não persecução penal e suas repercussões no âmbito administrativo. Revista Magister de Direito Penal e Processual Penal, Porto Alegre, v. 16, n. 95, p. 5-17, 2020. Disponível em: https://bd.tjdft.jus.br/handle/tjdft/47276. 18 jul. 2025.
MARTINELLI, João Paulo. A (ir)relevância da confissão no acordo de não persecução penal. In: BEM, Leonardo Schmitt de; MARTINELLI João Paulo (org.). Acordo de não persecução penal. 2. ed. Belo Horizonte: D'Plácido, 2021, p. 303-320.
OLIVEIRA, Marcondes Pereira de. Acordo de não persecução penal: repressão/prevenção ao crime e confissão do investigado. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, v. 29, n. 178, p. 311-333, 2021.
ROCHA, Lucas Ramos Krause dos Santos; AMARAL, Thiago Bottino do. A exigência da confissão no acordo de não persecução penal sob a óptica da Análise Econômica do Direito. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, v. 30, n. 191, p. 261-284, 2022.
SAAD, Marta. Art. 28-A. In: GOMES FILHO, Antônio Magalhães; TORON, Alberto Zacharias; BADARÓ, Gustavo Henrique (coord.). Código de Processo Penal comentado. 4 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Thomson Reuters, 2021, p. 175-195.
SCHIETTI CRUZ, Rogerio; MONTEIRO, Eduardo Martins Neiva. Acordo de não persecução penal (ANPP): aspectos gerais e observações sobre a confissão extrajudicial. Revista Brasileira de Direito Processual Penal, Porto Alegre, v. 10, n. 1, e907, 2024. https://doi.org/10.22197/rbdpp.v10i1.907
SILVA, Marco Antonio Marques da; PENTEADO, Fernando Martinho de Barros. A confissão como requisito para o acordo de não persecução penal. Revista de Direito Brasileira, Florianópolis, v. 32, n. 12, p. 311-329, 2023. https://doi.org/10.26668/IndexLawJournals/2358-1352/2022.v32i12.8806
VASCONCELLOS, Vinícius Gomes de; REIS, Dimas Antonio Gonçalves Fagundes. Limites à utilização da confissão do imputado realizada como requisito ao acordo de não persecução penal. Revista de Estudos Criminais, Porto Alegre, v. 20, n. 80, p. 262-277, jan./mar. 2021. https://doi.org/10.53071/2021081108
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Renato Losinskas Hachul, Leandro Sarcedo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os direitos autorais dos artigos publicados são do autor, mas com direitos do periódico sobre a primeira publicação e com respeito ao período de exclusividade de um ano. Os autores somente poderão utilizar os mesmos resultados em outras publicações indicando claramente este periódico como o meio da publicação original. Se não houver tal indicação, considerar-se-á situação de autoplágio.
Portanto, a reprodução, total ou parcial, dos artigos aqui publicados fica sujeita à expressa menção da procedência de sua publicação neste periódico, citando-se o volume e o número dessa publicação. Para efeitos legais, deve ser consignada a fonte de publicação original, além do link DOI para referência cruzada (se houver).









