A flor e a náusea

o princípio da legalidade no absolutismo ilustrado português

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.17280472

Palavras-chave:

Jurisprudência, Taxatividade, in malam partem

Resumo

Este artigo investiga um precoce precedente jurídico do princípio da legalidade penal no direito português: um assento da Suplicação de meados do século XVIII. Analisa-se como esta decisão, anterior às formulações de Beccaria e Feuerbach, consagrou a taxatividade das leis penais, recusando a analogia para incriminar condutas. O estudo contrasta esta inovação com o contexto hostil do absolutismo pombalino, que posteriormente a violou, e com a reticência doutrinária contemporânea. Conclui-se que o assento representa uma afirmação pioneira, ainda que frágil e esquecida, da estrita legalidade, cujo valor seminal é resgatado pela historiografia jurídica.

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Biografia do Autor

Prof. Dr. Nilo Batista, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, Brasil

Professor Emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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Publicado

23-10-2025

Como Citar

BATISTA, Nilo. A flor e a náusea: o princípio da legalidade no absolutismo ilustrado português. Boletim IBCCRIM, São Paulo, v. 33, n. 396, p. 6–8, 2025. DOI: 10.5281/zenodo.17280472. Disponível em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/boletim_1993/article/view/2385. Acesso em: 1 jun. 2026.

Edição

Seção

Filosofia do Direito

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