O que podemos aprender com os primeiros casos do Innocence Project Brasil (II): o caso Sílvio

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.15649715

Palavras-chave:

Erro judiciário, Prova Penal, Valoração da Prova, Reconhecimento de pessoas, Presunção de inocência

Resumo

O artigo analisa o caso Sílvio, uma das primeiras atuações do Innocence Project Brasil, que culminou na revisão de uma condenação por latrocínio, após cinco anos de prisão injusta. O texto examina criticamente o julgamento, identificando falhas no raciocínio decisório ou justificativo, especialmente quanto à aferição da confiabilidade do testemunho da vítima, única prova favorável à hipótese acusatória, e à acomodação ou mesmo desconsideração das provas que lhe eram contrárias. O estudo culmina com o mapeamento de fatores que provavelmente contribuíram para o erro: admissibilidade automática da acusação, decretação e manutenção da prisão preventiva, desatualização do juiz brasileiro em relação às capacidades cognitivas humanas, ausência de método decisório estruturado e incompreensão do papel do juiz criminal.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Prof. Dr. Fernando Braga, Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados

Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (1998), mestre em Direito pela Universidade Federal do Ceará (2005), doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (2023) e mestre em Raciocínio Probatório pela Universidade de Girona-Espanha. Professor do quadro permanente do Mestrado Profissional da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados. Desembargador Federal junto ao Tribunal Regional Federal da 5a. Região, onde foi Diretor da Escola da Magistratura e Corregedor e atualmente exerce a presidência. Atua nos seguintes temas: prova penal, processo penal, erro judiciário, tribunal do júri, valoração da prova e formação de juízes. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9489087695696684

Prof. Me. Juraci de Souza Santos Junior, Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados

Mestrado profissionalizante pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (2024). Graduação em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2008). Atualmente é Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará.

Referências

CLIFFORD, Brian R.; HOLLIN, Clive R. Effects of the type of incident and the number of perpetrators on eyewitness memory. *Journal of Applied Psychology*, v. 66, n. 3, p. 364-370, 1981. ([researchgate.net][2])

DEFFENBACHER, Kenneth A.; BORNSTEIN, Brian H.; PENROD, Steven D.; McGORTY, E. Kiernan. A meta-analytic review of the effects of high stress on eyewitness memory. *Law and Human Behavior*, v. 28, n. 6, p. 687-706, 2004. ([pubmed.ncbi.nlm.nih.gov][4])

DIGES, Margarita; PÉREZ-MATA, Nieves. La prueba de identificación desde la psicología del testimonio. In: **DIGES, M.** *et al.* (org.). *Identificaciones fotográficas y en rueda de reconocimiento: un análisis desde el Derecho procesal penal y la psicología del testimonio*. Madrid: Marcial Pons, 2014. p. 33-85. ([repositorio.uam.es][5])

EISEN, Mitchell L.; SKERRIT-PERTA, A.; OWEN, J.; CEDRE, A.; JONES, J. Pre-admonition suggestion in live showups: when witnesses learn the cops believe they caught “the” guy. *Applied Cognitive Psychology*, v. 31, n. 5, p. 520-529, 2017. ([truecrimefalsememory.com][6])

FAWCETT, Jonathan M.; RUSSELL, Emily J.; PEACE, Kristine A.; CHRISTIE, John. Of guns and geese: a meta-analytic review of the ‘weapon focus’ literature. *Psychology, Crime & Law*, v. 19, n. 1, p. 35-66, 2013. ([researchgate.net][7])

KASSIN, Saul M.; TUBB, V. Anne; HOSCH, Harmon M.; MEMON, Amina. On the “general acceptance” of eyewitness testimony research: a new survey of the experts. *American Psychologist*, v. 56, n. 5, p. 405-416, 2001. ([researchgate.net][8])

MORGAN, Charles A. III *et al.* Accuracy of eyewitness memory for persons encountered during exposure to highly intense stress. *International Journal of Law and Psychiatry*, v. 27, n. 3, p. 265-279, 2004. ([pubmed.ncbi.nlm.nih.gov][10])

PARKER, S. A.; SERRATS, A. F. Memory recovery after traumatic coma. *Acta Neurochirurgica*, v. 34, p. 71-77, 1976.

ACCATINO, Daniela. Atomismo y holismo en la justificación probatoria. Isonomía, Ciudad de México, n. 40, p. 17-59, 2014. Disponível em: https://www.scielo.org.mx/pdf/is/n40/n40a3.pdf. Acesso em: 15 mar. 2025.

BEECHER-MONAS, Erica. Evaluating Scientific Evidence: An Interdisciplinary Framework for Intellectual Due Process. Cambridge University Press, 2006

BRAGA DAMASCENO, Fernando. A motivação do juízo fático-probatório. Revista de Processo, São Paulo, v. 49, n. 354, p. 95-120, 2024.

BRAGA DAMASCENO, Fernando. Pensando a qualidade do juízo fático-probatório: um modelo de evolução baseado no aprendizado com erros. Revista Brasileira de Direito Processual Penal, Porto Alegre, v. 9, n. 3, p. 1213-1256, 2023. https://doi.org/10.22197/rbdpp.v9i3.900

BRAGA DAMASCENO, Direito probatório (stricto sensu). Da valoração da prova. São Paulo: Tirant lo blanch. 2023.

CECCONELLO, William Weber; STEIN, Lilian Milnitsky. Prevenindo injustiças: como a psicologia do testemunho pode ajudar a compreender e prevenir o falso reconhecimento de suspeitos. Avances en Psicología Latinoamericana, Bogotá, v. 38, n. 1, p. 172-188, 2020. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.6471

CECCONELLO, William Weber; FITZGERALD, Ryan J.; STEIN, Lilian Milnitsky. Efeitos do Alinhamento Justo e Similaridade de Rostos no Reconhecimento de Pessoas. Psico-USF, Campinas, v. 27, n. 1, p. 181-191, 2022. https://doi.org/10.1590/1413-82712022270114

CECCONELLO, William Weber; ÁVILA, Gustavo Noronha de; STEIN, Lilian Milnitsky. A (ir) repetibilidade da prova penal dependente da memória: uma discussão com base na psicologia do testemunho. Revista Brasileira de Políticas Públicas, Brasília, v. 8, n. 2, p. 1057-1073, 2018. Disponível em: https://www.publicacoes.uniceub.br/RBPP/article/view/5312. Acesso em: 15 mar. 2025.

FERRER-BELTRÁN, Jordi. Valoração racional da prova. Tradução: Vitor de Paula Ramos. Salvador: JusPodivm. 2021.

FONDEVILA, Gustavo; QUINTANA-NAVARRETE, Miguel. Determinantes de la sentencia: Detención en flagrancia y prisión preventiva en México. Latin American Law Review, Bogotá, v. 1, n. 4, p. 49-72, 2020. https://doi.org/10.29263/lar04.2020.03

GASCÓN ABELLÁN, Marina. Los hechos en el derecho: bases argumentales de la prueba. Madrid: Marcial Pons, 2010.

GLOECKNER, Ricardo Jacobsen. Prisões cautelares, confirmation bias e o direito fundamental à devida cognição no processo penal. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, v. 23, n. 117, p. 263-286, 2015.

GONZÁLEZ LAGIER, Daniel. Emociones sin sentimentalismo: sobre las emociones y las decisiones judiciales. Lima: Palestra, 2020.

LEIPOLD, Andrew D. How the pretrial process contributes to wrongful convictions. American Criminal Law Review, v. 42, p. 1123-1165, 2005.

PASSANANTE, Luca. Motivazione della sentenza e accertamento della verità nel pensiero di Michele Taruffo. Revista Ítalo-Española de Derecho Procesal, Madrid, v. 1, p. 85-86, 2021. https://doi.org/10.37417/rivitsproc/vol_1_2021_08

TARUFFO, Michele. Verdad, prueba y motivación en la decisión sobre los hechos. México: Tribunal electoral del Poder Judicial de la Federación, 2013.

TOSCANO JÚNIOR, Rosivaldo. O cérebro que julga: neurociência para juristas. Florianópolis: Emais, 2023.

TWINING, William. Taking Facts Seriously. Journal of Legal Education, vol. 34, no. 1, 1984, pp. 22–42.

WAGENAAR, Willem A; KOPPEN, P. J. V.; CROMBAG, H. F. M. Anchored Narratives: The Psychology of Criminal Evidence. Hemel Hempstead, Hertfordshire: Harvester Wheatsheaf, 1993.

WALTON, Douglas; MACAGNO, Fabrizio. Common Knowledge in Legal Reasoning about Evidence. International Commentary on Evidence, volume 3, issue 1. 2005

Downloads

Publicado

27-06-2025

Como Citar

BRAGA, Fernando; SANTOS JUNIOR, Juraci de Souza. O que podemos aprender com os primeiros casos do Innocence Project Brasil (II): o caso Sílvio. Boletim IBCCRIM, São Paulo, v. 33, n. 392, p. 30–34, 2025. DOI: 10.5281/zenodo.15649715. Disponível em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/boletim_1993/article/view/2154. Acesso em: 13 jan. 2026.

Edição

Seção

Erros Judiciários

Métricas

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)